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Adocon Alerta_______________________Reneuza Marinho Borba

Água e Saneamento


11 de Junho de 2004    
   
Falta de saneamento é responsável por 68% das internações nos hospitais públicos    
A falta de saneamento básico além de prejudicar a saúde da população, eleva os gastos da saúde com o tratamento às vítimas de doenças causadas pela falta de abastecimento de água adequado, sistema de tratamento de esgoto e coleta de lixo. Segundo estudo da Coordenação de Pós graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 68% das internações nos hospitais públicos são decorrentes de doenças provocadas por água contaminada.
   
O professor Paulo Canedo, coordenador do levantamento, informa que o Ministério da Saúde gasta R$ 250 milhões por mês para atender a estes casos. De acordo com ele, 40 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada e somente 6 por cento do esgoto produzido é tratado. Estes números, segundo Canedo, deixam o Brasil com um dos piores indicadores da América Latina
   
Para o professor, investir em saneamento é economizar dinheiro público. “Há uma afirmativa clássica de que cada dólar gasto em saneamento provoca uma economia de U$ 4 a U$ 5 para os governos” e quando aprofundamos o estudo confirmamos essa máxima , informa o pesquisador. Paulo Canedo disse ainda que o setor de saneamento brasileiro não necessita somente de investimento. “É preciso organizar e modernizar o setor, além de estruturar um plano de revitalização das empresas de saneamento", alerta. Para ele, não existe um planejamento de longo prazo para o setor de saneamento. O professor estima que o País teria de investir R$ 180 bilhões para poder melhorar a situação do saneamento básico, garantindo para toda a população água, tratamento de esgoto e coleta de lixo. 
   
O governo federal já liberou para obras de saneamento R$ 2,1 bilhões, recursos provenientes do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Esse dinheiro será usado no setor de saneamento de 300 municípios de 15 estados. A previsão do governo é assegurar para o setor neste ano R$ 4, 6 bilhões, diz o secretário nacional de Saneamento do Ministério das Cidades, Abelardo Oliveira Filho.
   
O tratamento de esgoto sanitário é o serviço de saneamento básico mais deficiente no Brasil. Segundo o IBGE, mais da metade dos 5 mil 507 municípios brasileiros existentes em 2000 não dispunha do serviço. O secretário nacional de Saneamento do Ministério das Cidades, Abelardo Oliveira Filho, informou que poucos recursos foram aplicados nos últimos 8 anos em obras para garantir serviços de abastecimento de água, rede de tratamento de esgoto, drenagem das águas da chuva, e coleta de lixo.
   
A preocupação do governo, de acordo com o Secretário, é garantir que esse dinheiro seja bem utilizado. Nós constatamos que o pouco dinheiro destinado ao setor não foi bem aplicado. “São estações de tratamento sem rede coletora, quilômetros de tubulação que vão do nada para lugar nenhum” exemplifica o secretário. Abelardo Oliveira Filho destacou ainda a importância da participação da população na fiscalização destes gastos. . Ele informou que o Ministério das Cidades criou o Conselho Nacional das Cidades para aumentar a participação da sociedade na definição das políticas públicas, da fiscalização e do controle dos gastos, além de acompanhar a execução das obras.     
    
(Fonte: Agência Brasil)

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